Reportagem - Futebol

Os Motivos da violência nos campos

Fábio José Santos - - 12/10/2012  0 comentários

Briga entre Liverpool e Juventos em 1985
Briga entre Liverpool e Juventos em 1985

Para o sociólogo Carlos Alberto Máximo Pimenta, autor do livro Torcidas Organizadas de Futebol: violência e auto-afirmação, na torcida organizada, embora possa comportar elementos criminosos, esta qualificação está muito longe de explicar seu comportamento, visto que a torcida organizada é um universo muito mais amplo, possuindo individuos das mais variadas classes sociais, tendo raizes não na criminalidade ou na pobreza, mas em caracteristicas da sociedade brasileira, ou ocidental, seu individualismo, ostentação e também no descaso com direitos básicos, como transporte, infra estrutura e outras situações vexatórias a que estão expostos os torcedores, formando um caldo de cultura que acumula ódios, propenso à manifestações de violência em grupo.

Para demonizar seu semelhante, o torcedor de outra agremiação; ou pior ainda, com essa visão nem vê o ato como crime, como demonstra bem a fala de Adalberto Benedito dos Santos, torcedor da “Mancha Verde”, apontado como autor da morte do “Independente” Márcio Gasperin da Silva à um reporter da TV Bandeirantes, durante a “Batalha Campal do Pacaembu”, em 1995, transcrita no texto de pimenta “Violência entre torcidas organizadas de futebol”:

“Repórter: - Você chegou a bater em alguém?
Torcedor: - Não sei...
Repórter: - Você se defendeu pelo menos?
Torcedor: - Defendi...
Repórter: - O que você acha disso, você gosta?
Torcedor: - Gosto ... é só para chegar em casa e ter o
prazer de tirar um barato com os meus amigos.
Repórter: - Não importa que alguém morra nisso?
Torcedor: - Não sendo amigo meu, tudo bem?”

Soluções possíveis
Os clubes com estádios acima de 10 mil lugares por seu lado, tiveram de equipar se com sistemas de câmeras, controladas por uma central técnica de informações, mostrando o público presente, catracas e acesso, o que permite a responsabilização dos envolvidos em tumultos. As forças policiais e federações deviam divulgar os equemas de segurança antecipadamente.

Já o desafio de modernizar as infra estruturas, como perceberam os Ingleses e o Brasil que, a despeito das críticas que recebeu, usa a Copa do Mundo como uma forma de modernizar ao menos algumas de suas mais importantes arenas do futebol. Há ainda o desafio novo das redes sociais, que servem para agrupar aliados e marcar brigas com torcidas rivais, como foi admitido pelos torcedores que participaram na briga que matou o torcedor vascaíno.

Mas o grande teste para o futebol brasileiro para saber-se conseguiu apaziguar suas torcidas e ao menos fazer parte da infra estrutura será nos eventos internacionais, como a Copa das Confederações, já em 2013, e a Copa do Mundo no ano seguinte. Há ainda questões trazidas pelos próprios eventos, como a liberação das bebidas alcílicas nos estádios, tidas no Brasil como estimulantes à violência e banidas dos estádios pelo Estatuto do Torcedor, mas que devido as pressões da FIFA em prol de seus patrocinadores, deverá ser resolvida com os governos estaduais de cada sede.
 

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