Reportagem - Jogos Indígenas

Jogos celebram as tradições indígenas

Michele Barcena - - 01/06/2012  0 comentários

Arco e flecha faz parte das modalidades dos Jogos Indígenas
Arco e flecha faz parte das modalidades dos Jogos Indígenas
Copa do Mundo, Jogos Olímpicos de Verão, Jogos Olímpicos de Inverno, Paraolimpíadas, Jogos Continentais...Todos esses são muito conhecidos por grande parte da população brasileira e há alguns anos. Agora, você já ouviu falar nos Jogos dos Povos Indígenas?

Organizado pelo Comitê Intertribal Indígena, com apoio do Ministério dos Esportes e da Funai, os Jogos dos Povos Indígenas têm o seguinte mote: “O importante não é competir, e sim, celebrar”. A proposta é recente, já que a primeira edição dos jogos ocorreu em 1996, e tem como objetivo a integração das diferentes tribos, assim como o resgate e a celebração dessas culturas tradicionais. 

O responsável pela articulação junto aos povos indígenas e a organização desportiva, cultural, espiritual e tradicional é o líder indígena Marcos Terena, que também é fundador e presidente do ITC. Carlos Terena, irmão de Marcos, é o organizador executivo e um dos idealizadores dos Jogos. 

Segundo Carlos, “Com a chegada da "nova civilização", as comunidades indígenas criaram outros mecanismos políticos, sociais e econômicos. Foi desse contexto que nasceu a ideia da criação dos Jogos dos Povos Indígenas, um segmento que nunca fora antes pensado, cuja função e objetivos ganham cada vez mais o caráter de composição da grande família. Todos participam, promovendo a integração entre as diferentes tribos com sua cultura e esportes tradicionais”, afirma.

Para ele, “essa tradição não tem sentido de coisa passada e sim na busca da memória, que é transmitida e atualizada de geração a geração, respeitando-se assim esses valores, adquirindo o dom da partilha em comemorar uns com os outros, vivendo a gratuidade do festejar”.

A edição dos Jogos de 2003, por exemplo, teve a participação de sessenta etnias, dentre elas os Kaiowá, Guarani, Bororo, Pataxó e Yanomami. A última edição ocorreu em 2011. O Brasil quer apresentar uma versão reduzida dos Jogos dos Povos Indígenas, com a participação de 300 índios de 12 etnias, durante a Conferência das Nações

Unidas Sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada de 20 a 22 de junho (2012), no Rio de Janeiro. A ideia é divulgar as riquezas indígenas e o potencial brasileiro de organização de megaeventos esportivos, culturais e de sustentabilidade.

Jogos Olímpicos Indígenas no Maranhão
 
Os índios brasileiros agora poderão participar de uma inédita edição dos Jogos Olímpicos Indígenas nesse ano tão importante para o esporte mundial. A ideia é realizar a competição envolvendo as nove etnias indígenas presentes no estado do Maranhão, com jogos que fazem parte do cotidiano das aldeias. Com a iniciativa, o desenvolvimento e a preservação das atividades esportivas praticadas pelos povos indígenas na região seriam favorecidos. 
 
O objetivo é promover um grande evento esportivo com modalidades típicas dos índios que estimule a prática de esporte entre as crianças e jovens para que dessa maneira, ocupem o tempo ocioso com atividades que promovam a valorização da cultura, a educação e a fraternidade entre os povos. 
 
“A proposta é estimular a prática de esporte, principalmente entre as crianças e os jovens, para que ocupem o tempo ocioso com atividades que promovam a valorização da cultura, a educação e a fraternidade entre os povos”, afirma Clineu César Coelho, secretário adjunto de Esporte e Lazer do Estado, responsável pela execução desse projeto de Olimpíadas Indígenas.
 
Inicialmente, será feita uma pesquisa para mapear as aldeias e identificar as modalidades esportivas praticadas pelos índios no Maranhão. Em seguida, as secretarias farão visitas às aldeias para mobilizar os participantes. Após a etapa inicial, serão realizadas as prévias das olimpíadas nas aldeias para a formação das delegações que irão representar cada etnia. As semifinais e a grande final deverão ser realizadas em local a ser escolhido juntamente com os índios. 
 
Inicialmente, a Secretaria de Estado da Igualdade Racial (Seir), também responsável pelo projeto, fará uma pesquisa para mapear as aldeias e identificar as modalidades esportivas praticadas pelos índios no Maranhão. Em seguida, as secretarias farão visitas às aldeias para mobilizar os participantes. Após a etapa inicial, serão realizadas as prévias das olimpíadas nas aldeias para a formação das delegações que irão representar cada etnia. As semifinais e a grande final deverão ser realizadas em local a ser escolhido juntamente com os índios.

Além da 1ª Olimpíada Indígena, as secretarias da Igualdade Racial e do Esporte e Lazer articulam a possibilidade de levar o Projeto Maranhão Feliz para as comunidades quilombolas do estado.

Participação da tribos:
Guajajara
Ka'apor
Awá-Guajá
Guarani
Krikati
Gavião Pukobyê
Timbira - Canela
Timbira Krenyê
Tembé
 
Jogos - Modalidades Indígenas:
Arco e Flecha
Cabo de guerra
Canoagem
Atletismo
Corrida com tora
Xikunahity
Futebol
Arremesso de lança
Luta corporal
Natação 
Zarabatana
Rõkrã
 
 
 
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