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Entrevista - Daytona

Christian Fittipaldi: 24 horas de Daytona

Janaina Azzoni - São Paulo/SP - 03/02/2012 0 comentários

Christian Fittipaldi, ícone do automobilismo <br /> Foto:Trofeo Linea / José Mário Dias
Christian Fittipaldi, ícone do automobilismo
Foto:Trofeo Linea / José Mário Dias
O piloto brasileiro, Christian Fittipaldi, fala a equipe da LivrEsportes sobre o desempenho da sua equipe nas pistas e comenta a ida de Bruno Senna à Fórmula 1.

Aconteceu no último fim de semana de janeiro aquela que é considerada a mais tradicional prova de automobilismo mundial, as “24 horas de Daytona”, que acontece há 50 anos nos Estados Unidos. Três brasileiros conseguiram subir ao pódio. 

Cinquenta e oito carros, nas categorias DP e GT, participaram da disputa no circuito misto de Daytona Beach, na Flórida. Em suas 24 horas de duração, a corrida teve o total de 761 voltas com 14 bandeiras amarelas.

Oswaldo Negri integrou o time vencedor que levou o Riley Ford à primeira posição. Esta foi a terceira vez que um brasileiro venceu a prova. Antes, Christian Fittipaldi subiu ao pódio  na prova em 2004 e Raul Boesel em 1998. O terceiro lugar ficou com o Corvette DP conduzido pelo time que tinha o jovem Felipe Nasr, atual campeão da Fórmula 3 Inglesa, entre seus integrantes. 

Correndo a prova pela sétima vez, Christian Fittipaldi enfrentou problemas de motor durante toda a prova, mas ainda assim conseguiu terminar a corrida na quinta colocação, também com um Corvette. O brasileiro corria com os companheiros Darren Law e David Donohue.

Falando à equipe do LivrEsportes Christian Fittipaldi comenta o resultado da prova, fala um pouco sobre seus planos para 2012 e opina sobre a ida de Bruno Senna para a Fórmula 1 agora na temporada 2012.

LivrEsportes: Comente sobre seu desempenho durante as 24 horas de Daytona
Christian Fittipaldi: Ficamos satisfeitos, diante de todos os problemas que enfrentamos. Claro que esperávamos mais. A corrida teve um domínio total da Ford e, mesmo sem os problemas mecânicos que tivemos, seria difícil superá-los. Terminamos em quinto e, sendo realista, nosso limite seria o quarto lugar.

LivrEsportes:   Como foi o processo da escolha do Chevrolet Corvette? 
Christian: Todos os carros que usaram o motor Chevrolet precisaram correr de Corvette. E o que foi oferecido para a equipe comercialmente e tecnicamente foi aceito e eles ficaram satisfeitos.
 
LivrEsportes: Você já correu outras vezes com seus companheiros de equipe?
Christian: Não. Já havíamos corrido na mesma equipe, mas em carros diferentes. No caso da equipe, corremos juntos em 2011 e muitas pessoas já haviam trabalhado comigo na Grand-Am ou em outras categorias.

LivrEsportes: Existe alguma característica que diferencie vocês três? Um corre melhor na chuva, outro melhor à noite, etc?
Christian: Sinceramente, em Daytona, é tudo muito parecido, porque a pista é fácil, tecnicamente falando. Os três têm bastante experiência. Somando eu, o Law e o David já temos ai uns 30 anos de experiência em Daytona. Os três já ganharam a prova, então são características bem parecidas.

LivrEsportes: Como é a preparação de um atleta para uma prova tão extensa como essa?
Christian: O mais importante é dormir bem na noite anterior à prova. Claro que se você conseguir dormir bem toda a semana ajuda ainda mais. Na parte da alimentação, eu trato como se fossem três corridas em uma só. Nunca entro no carro de barriga vazia e bebo muito líquido antes. Quando saio do carro, já como e novamente bebo bastante líquido. Na parte física, o treinamento não muda também. Você apenas tenta se preservar mais para não gastar muita energia.

LivrEsportes: Há alguma adaptação no veículo para aguentar tanto tempo correndo sem parar?
Christian: Sim. Todos os carros são muito bem preparados para agüentar as 24 Horas. De todos os carros da categoria DP, apenas um abandonou, o que comprova isso. Tem de ser um verdadeiro tanque de guerra para agüentar.

LivrEsportes: Qual é a equipe adversária que mais se compara a Action Express?
Christian: Achávamos que os carros a serem batidos eram os da Ganassi, o que acabou não acontecendo. A Ford surpreendeu todo mundo.

LivrEsportes: Algo que não estava previsto atrapalhou seu desempenho na prova?
Christian: Tudo começou com o incêndio que tivemos na quinta, depois que o motor quebrou. Isso gerou uma série de outros problemas, que só foram solucionados depois de 6 horas de corrida. Depois, na metade da prova, tivemos um problema na troca da roda traseira externa, quando um dos discos de freio ficou preso. Perdemos três voltas em algo que levaríamos 40 segundos.

LivrEsportes: Christian, como será seu ano de 2012? Quais os planos para as pistas?
Christian: Vou continuar no Trofeo Linea e talvez faça mais algumas provas com a Action Express pela Grand-Am. Além disso, continuo comentando as corridas de Fórmula 1 na rádio Jovem Pan.

LivrEsportes: Como você acha que será o desempenho do Bruno Senna na Williams?
Christian: Acho que 80% do desempenho dele vai depender principalmente do desempenho do carro. Se o carro for bem, ele tem condições de andar bem. Mas se estiver como em 2011 ele não vai conseguir fazer muito. Com certeza, o Bruno já tem uma certa experiência agora na F-1, está mais preparado depois das corridas que fez com a Renault em 2011, mais maduro e tem chance e capacidade para fazer um ótimo trabalho. Mas tudo vai depender do carro que a Williams vai dar para ele guiar.
 
 


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