Brasileiro e francês atravessam o Atlântico em barco sem cabine
Michele Barcena - Hortolândia/SP - 17/05/2013
Fotos: Divulgação
No longo caminho entre Capetown, na África do Sul e Ilhabela, no litoral paulista, a dupla encontrou muitas condições adversas como sol forte, tempestades, ondas fortes e zonas de naufrágio. Tudo isso à bordo do Picolé, sem nenhuma escala entre o ponto de partida na África e a chegada no Brasil.
“No quarto dia da viagem fomos pegos de surpresa com um mar gigante, com ondas de 5 metros e ventos de até 30 nós. Como não esperávamos por tanto mar e vento estas duas noites foram tensas”, revela Pandiani. Porém, as sensações vividas e as maravilhas da natureza vistas nessa aventura, valeram a pena, segundo Pandiani. Por que viajar? Ele responde: “A viagem é um pequeno exercício, uma prática, para lembramo-nos que a grande viagem é a existência”.
Um desafio que acaba de ser registrado na história e que jamais sairá da mente desses dois desbravadores do mar. Confira a entrevista com o santista Beto Pandiani, que há 18 anos realiza expedições de alta performance pelos mais temidos mares do mundo a bordo de catamarãs sem cabine.
LivrEsportes: O que foi mais difícil nessa jornada? Quais foram os momentos mais críticos?
Pandiani: O mais difícil desta viagem foi a falta de vento e os dias de mau tempo, quando não havia previsão de tempo ruim. No quarto dia da viagem fomos pegos de surpresa com um mar gigante, com ondas de 5 metros e ventos de até 30 nós. Como não esperávamos por tanto mar e vento estas duas noites foram tensas. Isso aconteceu nas costas da Namíbia.
Livresportes: Há um cansaço físico e mental após um desafio como esse. Como você se sente depois de todos esses dias em alto-mar?
Pandiani: Chegamos cansados em Ilhabela, pois dormimos muito pouco na última semana. O cansaço é físico pelas condições do barco e pelo sono cortado, mas o cansaço mental também foi enorme pelo fato de travarmos uma guerra contra o vento que sumiu. A exaustão mental apareceu nos dias de calmaria e muitas vezes não sabíamos o que era pior: mau tempo ou calmaria. Ficar debaixo do sol, parado, sem perspectiva de vento por três dias é um teste bem difícil.
Livresportes: Como surgiu a ideia de realizar essa travessia e como foi a preparação?
Pandiani: Já no final da travessia do Pacífico em 2008 falávamos em cruzar o Atlântico e o Índico. A preparação como em todas as viagens começa dois anos antes com o projeto do barco, orçamentos e a procura de parceiros para financiar a viagem. Sempre é difícil viabilizar financeiramente, mas no final deu certo e assim fomos para Capetown onde ficamos 22 dias preparando o barco, o Picolé. Encontramos muitos pontos falhos na construção e por isso tivemos que submetê-lo a uma pequena reforma. No final o barco saiu de lá bem forte.
LivrEsportes: Qual foi o seu maior objetivo em realizar essa travessia?
Pandiani: Já foram dois oceanos e se conseguirmos cruzar o Oceano Índico seremos os primeiros velejadores do planeta a dar a volta ao mundo em um barco sem cabine. Este é um grande exercício de administração de riscos, de empreendedorismo, de cooperação e superação.
LivrEsportes: Quais foram os melhores momentos da travessia e quais as melhores recordações?
Pandiani: Como sempre o melhor momento é a chegada, pois a conclusão de um projeto desta magnitude traz um grande prazer e no fim um alívio por ter dado tudo certo. No caminho, os dias de vento bom, os fins de tarde, as noites estreladas e os momentos de paz formam uma vivência inesquecível.

Todas as entrevistas já publicadas.
Opinião do Leitor
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