Ministério do Esporte
Crônica / Artigo - Futebol

Vertentes de um técnico de futebol



Futebol é um esporte facilmente comparável à arte. Essa semelhança pode ser atribuída simplesmente pelo balé de dribles coreografado pelos seus personagens ou ainda pela pintura habilidosa desenhada na condução da bola, quando nos deparamos com uma jogada realizada por um atleta capaz de conduzir a bola colada ou não ao seu corpo, fintando seus adversários até finalizar com um golaço de placa - como faz o garoto Lucas, jogador do São Paulo Futebol Clube.

Mas em toda pintura, companhia de dança ou exposição existe um responsável por segurar e conduzir o pincel, marcar o compasso ou definir quais peças serão expostas. No caso, o sucesso de um espetáculo de dança é responsabilidade de sua coreógrafa e uma bela montagem de uma exposição de arte é atribuída ao seu curador. No futebol, retomando a nossa analogia com a arte, com o passar dos anos, vem designando também um personagem de destaque nessa função de líder e responsável pelo sucesso de seu espetáculo.

No passado recente esta liderança era exercida pelo jogador cérebro, o famoso camisa 10. Hoje esse posto pertence à aquele homem que fica do lado de fora e que tem a missão de organizar o time. Estou falando do técnico de futebol, amado por alguns, mas odiado por muitos.

Perfil de um técnico
Bom, mas poderíamos nos perguntar qual seria mesmo o perfil ideal para um técnico de futebol?  Para ser treinador é necessário ser pedagogo, arquiteto, administrador, pesquisador e psicólogo? Ou basta apenas gostar ou já ter jogado futebol? Sabemos pontuar quais habilidades um técnico precisa possuir ou adquirir para ser um bom treinador? Ou preferimos o empirismo – achismo – para analisarmos o trabalho deste profissional que tem a dura função de organizar, administrar, liderar homens em partidas em situações favoráveis e desfavoráveis?

O novo técnico, diferente daquele do passado, tem necessariamente que dominar a pedagogia para utilizar-se da didática para ensinar e melhor se relacionar com seus atletas e comissão técnica. Ser um arquiteto da bola a partir do conhecimento acerca do funcionamento do clube e de seus recursos disponíveis. Administrar e gerir a própria sua equipe, além de ser pesquisador e estar sempre atualizado, estudando seus adversários, alternativas de esquemas táticos e estratégicos. E ainda atuar como uma espécie de psicólogo, o profissional em que a equipe confia, disposto a ouvir, consolar, orientar e repreender, quando se julgar necessário.

Deste modo, conforme defendem autores como Balaguer (1994), o perfil de um técnico moderno de futebol pode ser definido a partir de habilidades principais de cada profissional, entre elas, conceitual, comunicação, técnica e tática, afetiva, gestão, estratégia, interpretativa e educativa. Uma ressalva importante é que obviamente essas habilidades não funcionam separadamente dos modelos de personalidade, o que faz com que características preponderantes como a autoritária, a democrática e a permissiva definam também estilos técnicos de atuação, mesmo se o desafio constante para o técnico ideal seja atingir o equilíbrio entre esses modelos.

Dado o espaço conquistado pelo técnico na contemporaneidade temos visto que o espetáculo artístico do futebol não está mais apenas delegado à maestria de seus jogadores talentosos e sim à competência de seus líderes na condução de seu elenco para que a perfeita coreografia esteja garantida, ainda que no último minuto e de maneira surpreendente, como foi o caso do primeiro jogo da final da

Copa Libertadores da América 2012 (Boca Juniores e Corinthians), quando o técnico Tite resolve substituir um jogador pelo jovem Romarinho que em sua primeira jogada é agraciado com um gol de empate.

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Opinião do Leitor

Thiago Mascarenhas - 12/04/2013
Muito bom esse artigo, ontem por coincidencia ouvi uma pesquisa realizada por uma radio que gostaria de saber se os torcedores acham que deveriam ser consultados na hora da escolha do técnico de seu time.... nao sei se teriam critérios como esses tao profissionais, fica a se pensar... Parabéns pelo artigo.

 

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