Contra a bala não há argumentos
O ministério da saúde adverte: xingar a mãe do árbitro é prejudicial á saúde!
Esta aconteceu em Aperibé, uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro. Wagner Tardelli estava iniciando sua carreira e foi atuar na partida entre o time local e o Rubro de Araruama. O árbitro reserva era Faisal Abraão, uma figura conhecida na região por resolver suas pendengas normalmente à bala.
Quase no final da partida, Tardelli observa um torcedor mais exaltado, pendurado no alambrado, com metade do corpo para dentro do campo, e comunica ao Faisal. Momentos depois, a resposta é bem objetiva:
- Não se preocupe, eu já fui e tá tudo resolvido. Ele xingou “mamãe” e eu vou dar um tiro no joelho dele depois do jogo.
Mais tarde, no vestiário, Tardelli consegue pegar a arma e a esconde na sua bolsa, tentando evitar que a ameaça do árbitro reserva seja consumada. Só que na saída do estádio, eis que aparece o tal torcedor, carregando uma caixa de isopor.
É comum, principalmente em cidades do interior, vendedores armarem várias barraquinhas nas cercanias dos estádios vendendo milho cozido, pipoca, cocada, refrigerante e outros bate-entopes. Faisal avista o torcedor e, aos gritos, diz que “mamãe” precisava ser vingada. Ele coloca o pé em cima do pára-choque de um carro estacionado, pega outra arma que estava escondida na sua bota e começa a atirar. As barraquinhas ficaram vazias e o coitado deve estar correndo até agora.
O justiceiro de branco
Outra do Tardelli e do Faisal. Desta vez em Bacaxá, decisão de um torneio local. Faisal, que seria o árbitro, abusou na sua indumentária. Resolveu ir ao estádio usando camisa, calça, terno, gravata e sapato, enfim, tudo branco. Parecia um banqueiro do jogo do bicho.
Antes da partida, deu sua famosa arma para que Tardelli, o árbitro reserva, a guardasse. A partida foi muito nervosa e o inevitável acabou acontecendo: uma briga generalizada envolvendo o juiz e os dois times. Após bater muito e, principalmente começar a apanhar, ele pedia desesperadamente:
- Minha arma! Minha arma!
Nisso, todo mundo correu na direção do Tardelli, em busca do tal revólver. Com muito custo, os árbitros conseguiram se evadir, descendo as escadas em direção ao vestiário, mas com todo mundo correndo atrás deles.
Desesperado, o árbitro pede ao Tardelli:
- Dá a arma!
- Não, Faisal!
- Dá a arma!
- Não, Faisal!
- Dá a arma!
- Toma! - e só se ouviu o barulho dos tiros: téin!téin! Não sobrou um para contar a história.
Mais tarde, eles já estavam indo embora quando, na metade do caminho, Tardelli deu falta do seu relógio.
- Vamos voltar lá para pegar-disse o Faisal.
Claro que o assunto das conversas de bar era o tal pistoleiro de branco. Bastou ele descer do carro e encosta-se á porta do estádio, para os bares em frente esvaziarem, só ficarem as cervejas e os copos. Sumiu todo mundo. Em tempo: o relógio estava caído no gramado, intacto, próximo de onde a confusão começou.
O poder da persuasão
Dia 29 de setembro de 1993, Grêmio e Santos, no estádio Olímpico, em Porto Alegre. A partida, festiva, marcava a estréia do lateral Branco no Tricolor dos Pampas, após retornar da Itália. Finalzinho de jogo, pênalti contra o Grêmio e Léo Feldman marca. Santos um a zero.
A confusão é generalizada, chutes, pancadaria. Foi preciso a Brigada Militar intervir para que o árbitro e os assistentes conseguissem chegar ao vestiário. A situação era tensa e a torcida não arredava o pé, prometendo esperar o trio de arbitragem na saída do estádio.
Enquanto isso, um repórter de rádio noticiava que juízes estariam acuados ali dentro. Foi quando o assistente Paulo Jorge Alves, num ato de fúria, agarrou o repórter e o ameaçou, exigindo que ele noticiasse, logo depois, que os árbitros já haviam ido embora. E foi o que ele fez. Nesse caso, os fins justificaram os meios.
Todas as crônicas já publicadas.
Opinião do Leitor
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